quinta-feira, 3 de março de 2016

Inexistência

Meu amor minha cólera apagava,
pois tudo que amei, amei no escuro.
E na eterna mágoa eu gritava:
"vivi um amor atrás de um muro!"

As flores que depositarei no jazigo...
dos dias cansados, nunca minhas serão.
E na eterna mágoa, elas gritavam comigo:
"viveste sequer um momento - és uma decepção!"

Todavia, afogar-se jamais será bem visto.
E eu me afoguei em mim mesmo, no momento,
na palavra, enquanto gritava: "não existo!"

E porquanto cismava, em meio ao sentimento,
depois das flores e do jazigo quente e misto,
todos comigo gritavam: "morre, inútil! e leva contigo o tormento!

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