terça-feira, 15 de março de 2016

poema

o abismo nos olhos de escuridão,
a fome e miséria no ardor do azar
(de ter nascido - e não existido, senão
no seio da histeria, da dor e do pesar).

seres, monstros, ogros... e o homem-mau
cantam a agonia da pureza impura
(que se estende sobre os versos da nau,
que naufraga e ainda se vai... sem cura).

e a luz que busca em seu rosto,
o que já se foi, o que foi deposto
há de extrair a ínfima parte dela.

e a melancolia da qual bebem os esquecidos
é a fonte de despedida dos adoecidos,
que também se vão, no aceno da última triste parcela.

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