sábado, 12 de março de 2016

Une saison en enfer

tilintam os ossos em meio à penumbra.
risos cessam, a noite retumba!
horror expresso nas faces cemiteriais
dos burlescos! loucos e bobos... arlequinais!

oh! là là!

como eu versasse a um miserável a obra rimbaudiana,
versos rotos comentaria, e se perderia na tormenta diluviana.
o não-vivo permanece por detrás das agonias.
são os burlescos! loucos e bobos... atrás de um messias.

avant-garde!

"crê, crê, crê", urram os esqueletos!
em nome de um folhetim, de um livreto!
que ocultam em infames e Medianos pensamentos
para não terem que lidar com a mudança, o momento.

injustice!

os bons serão abençoados com a coroa de rosas.
"coroai-me de rosas!" - breves, salvas e charmosas.
o restante é aberração: tediosa, pecaminosa: solidão,
que corrói! "corroei-me de esterco, vermes, putrefação!"

prosélitisme! 

como versassem aos burlescos, loucos e bobos,
os cretinos se dizem superiores! filhos do Globo!
mas bem sabem que, no fundo, tudo é uma esperança
de ascender, se imortalizar... um sonho de criança!

silence!

psiu! não falemos sobre o abuso e o retrogradismo artesianos!
afinal, a morte é divina! - mas nós, apenas humanos!
e se empurram, correm e fogem como animais de rebanho
que se reduzem, se espremem e diminuem de tamanho!

voilà

já chegaram ao pé da cova, e o dia raia sem cessar.
por hoje, chega desta festança que insiste em maltratar
quem não tem a ver com a crendice dessas almas em desertos,
tão tristes, tão desiludidos... que precisam de crendeireces - ou dejetos!

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