quarta-feira, 6 de abril de 2016

E tudo que se foi permanece ido

Desistimos de comentar sobre o problema.
E tudo que se foi permanece ido...

Os laços desenlaçados,
os abraços
não abraçados...

Desistimos de nos arrepender por tudo.
E tudo que se foi permanece sem ter sido.

Canto a canção do desperdício.
Nasci num asilo, 
morri num berço de pétalas.

A leitura que fizemos dos acontecimentos passados nunca foi feita.
Nunca existimos, senão numa invenção - que não houve.

O olhar que olhas para outro é meu.
O olhar que chora pouco a pouco é nosso.
E, embora estejamos distantes, ainda te amo.

Porém, desistimos de comentar sobre o problema,
e agora caminhamos ao desencontro
em pontos distintos, que não sei onde estão.

E tudo que se foi permanece ido.
E tudo que não foi permanece sem ter sido.

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