quinta-feira, 14 de abril de 2016

Irritante

Inquietante, estranhamente suportável,
por meio de sons guturais, faz sua reclusão.
Estranho, porém familiar, ali, inegável,
se esconde a luz... e a depressão.

Familiar e construída em seio insustentável,
a escuridão alumia seres de todo escalão.
O outro, solitário, é o eu impenetrável
por toda e qualquer dialogação. 

O outro, que nada entende, julga o eu
carente de toda e qualquer atenção.
Mas muito sabe quem já se fodeu

que a angústia é mais densa e profunda,
o anseio, o rancor e o sofrimento são do eu,
e cada um deve cuidar, só, da sua bunda.

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