quinta-feira, 21 de abril de 2016

Limite

a fissura em meu peito
se agita e grita

palavras de real intensidade,
que só servirão para o ócio.

voltarei ao limite,
onde meus desafetos incitam

a minha decepção.
sou a decepção, penso,

pois a fenda em meu peito
profundo afunda a mágoa

de lutar contra os aromas
sangrentos de meu corpo.

dia a dia, com a cabeça
nos joelhos ralados,

choro a cratera que ainda
se rompe em milhares

de medos e pesadelos
da cabeça que

atira, mas não grita.
e a redoma em que se assoma

o caráter lúgubre e sôfrego
somente enverga sorrisos

de finalidade, de completude...
a cama por fazer, o ventilador ligado

a tigela inacabada em cima da mesa,
a torneira gotejante...

sinais de desamparo, descaso
e tremendo esquecimento.

abandono; parte de seus irmãos
e pais nas lágrimas passadistas

já não é. o mundo gira,
a mágoa retorna...

e o peito não suporta
essa intrínseca aridez.



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