domingo, 17 de abril de 2016

Ponto

Ó coração! Penoso é teu sofrimento.
Caíste num oceano sem fundo,
e, solitário corpo imundo,
poluíste as águas com teu pensamento.

Não! Estive errado, pensei errado.
Condena-me! (e sempre me condenas)
Não à arte que tu concatenas!
Não ao poeta apaixonado!

As lágrimas nada mais exerceram
que seu próprio e único trabalho:
fizeram de mim seu retalho!
e assim, me regaram e, enfim, escorreram.

Ó coração! Rápido seja teu falecer!
Pois na vida só há duas certezas:
terei sempre por perto as tristezas,
e quero mais do que tudo morrer!

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